Sejam Bem-vindos ao Blog da SEFA!

A Seara Espiritualista Falangeiros da Aruanda - SEFA - é uma Organização Religiosa de Umbanda, que traz como base doutrinária a Escola de Caboclo Mirim. Nosso objetivo é seguir os princípios fundamentais da Umbanda e seus ensinamentos na prática da caridade. Nossa Matriz fica no bairro de Piedade, e nossas filiais em Sampaio e Vila Isabel (Rio de Janeiro)

quarta-feira, 1 de março de 2017

Quaresma: Fechar ou não fechar?


A Quaresma é o período de quarenta dias, determinado pelo Vaticano, em que os nossos irmãos católicos se penitenciam, como uma forma de lembrar o sofrimento de Jesus Cristo. Segundo a liturgia católica, o objetivo desse período de sacrifícios é preparar o indivíduo mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e absorção de valores sagrados.

Embora tenha se tornado uma tradição, a Quaresma não foi estipulada pelo Mestre Jesus, mas, sim, pelos dirigentes católicos, três séculos após a passagem do nosso Médium Supremo pela Terra, no ano de 325, durante o Conselho de Nicéia. Tanto que a data do Carnaval, festa considerada profana e que antecede o período, muda a todo ano de acordo com determinações do próprio Vaticano. Isso porque a Páscoa é comemorada sempre no primeiro domingo de lua cheia da primavera no hemisfério norte (outono no Brasil). E o Carnaval deve sempre acontecer quarenta dias antes da celebração da Paixão de Cristo. A quaresma acaba sendo um período de purificação e redenção das almas.

QUARESMA E UMBANDA – Dentro da Umbanda o período causa uma divisão de opiniões. Um número razoável de terreiros fecha suas portas, suspendendo as atividades caritativas durante a quaresma.

Teólogos e outros estudiosos afirmam que esta atitude de fechar as portas é uma influência direta do catolicismo: Muitas pessoas que hoje são dirigentes umbandistas, no passado, professavam os preceitos da religião católica. Há ainda aqueles terreiros que cobrem as imagens do gongá, ou até mesmo fecham todo o altar com uma cortina, não havendo toques durante o período de penitência dos católicos. Algumas casas, de diretrizes mais africanizadas, fecham suas portas por acreditarem que espíritos atrasados estariam “mais livres” nessa época. Outros terreiros mantêm suas atividades normalmente, como é o caso da SEFA (confira o nosso calendário abaixo).

Esse fator acaba criando uma polêmica: é errado realizar giras e sessões mediúnicas no período da quaresma? O escritor e estudioso Jairo da Silva Coutinho defende a continuidade dos trabalhos de Umbanda no período da Quaresma. Para ele, os terreiros são como prontos-socorros e jamais poderão fechar suas portas. “A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação”, argumenta Coutinho.

O nosso Tupixaba, CCT Cristiano Queiroz, acredita que todos os dias são próprios para praticarmos a caridade, desde que nos coloquemos em sintonia com o Plano Superior para os trabalhos mediúnicos que vamos realizar. Ele ainda acrescenta que nós é que criamos, através das superstições, as datas de mau agouro.

“Não estou criticando as casas que fecham. Os nossos irmãos católicos não fecham suas igrejas nesse período. Acho que nós também não devemos fechar os terreiros. É a nossa forma de trabalhar para a caridade”, complementa o comandante geral da SEFA.


Embora a questão da quaresma ainda divida opiniões, o fato é que a Umbanda também segue os princípios e os ensinamentos cristãos. Porém nós, umbandistas, somos sabedores que Jesus não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtude que Ele pregou quando encarnado como alicerces para a evolução da humanidade.

A SEFA mantém suas atividades normalmente no período da Quaresma. Acompanhe nosso calendário de Março em nossa Matriz e filiais.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Folia dos Espíritos

Os Cuidados que devemos ter no período de Carnaval



Nesta semana, comemora-se o carnaval no Brasil e no Mundo. No Rio de Janeiro, principalmente, essa festa é bastante popular, com seus tradicionais desfiles de escolas de samba e blocos de rua.

Nestas festas, regadas a muita bebida, música e excessos de todos os tipos, muitos de nós se expõem a hábitos diferentes do cotidiano, causando às vezes danos e riscos, tanto ao seu corpo material quanto ao espiritual.

Como nos dizem os Espíritos Superiores, nosso mundo está imerso no plano espiritual e não o contrário. É inegável a influência mútua que nossas ações e pensamentos causam nestes planos.

Principalmente nas regiões mais densas, próxima à crosta, onde habitam e vagam hordas de espíritos ignorantes e viciados, ligados ainda excessivamente à matéria e ávidos por fluidos e sensações dos encarnados.

Cada pensamento, cada sensação de prazer material produz uma sintonia que se afina as estes irmãos sofredores, que se aproximam e vampirizam essas energias e emanações fluídicas dos encarnados.
Muitas das vezes esse processo eclode em um círculo vicioso e obsessivo, onde o desencarnado passa a explorar o encarnado para que cada vez mais, este produza as sensações materiais que o alimentam, causando sofrimento, infelicidade e desequilíbrio em ambos os planos.

Nossos Guias nos orientam que o trabalho das falanges de amigos e benfeitores espirituais se faz, incessantemente, no resgate e no amparo a estes irmãos obsedados e obsessores, no reequilíbrio dos seres, no encaminhamento a colônias de tratamento e na dissipação das energias negativas e vulgares geradas, todos os dias, por nossos pensamentos, condutas e ações na Terra.

No período do carnaval, a atmosfera fluídica terrestre sofre um grande desequilíbrio, originado pela indiscutível massa de indivíduos que se entregam aos vícios e excessos de toda sorte, gerando o “alimento em abundância” tão aguardado pelos nossos irmãos do Umbral. Já no Plano espiritual, a atmosfera fica densa, pesada, dificultando o trabalho das falanges do bem e da luz na manutenção do equilíbrio de energias em nosso planeta.

Muitos terreiros e casas espíritas interrompem seus trabalhos nesse período dedicando-se a retiros e meditações. Isso se deve ao fato de acreditarem que durante esse período, o trabalho no plano invisível se triplica e a conexão mediúnica pode ser arriscada, tanto pelo desequilíbrio nos médiuns, quanto pela não proteção dos Exus que se focam nos trabalhos de limpeza e proteção do orbe terrestre. Nesse caso, o resguardo, a oração e a paz é a melhor caridade que podemos prestar.


FIRMEZA PARA O CARNAVAL - Em nossa casa, costuma-se realizar a firmeza com os Exus, antes do período de carnaval. Esse ritual tem por objetivo a proteção dos médiuns e assistentes, reforçando a atenção e a energia da casa para suportarmos essa época tão densa, com segurança e serenidade. Para esse trabalho, solicitamos que médiuns e assistentes levem uma vela de sete dias branca, para que seja acesa no período de carnaval, trazendo a proteção do Povo Trabalhador durante este período. 

Contudo, o cuidado deve ser redobrado. É importante que os excessos sejam evitados e se tenha cautela nas comemorações, pois a maior proteção contra as investidas dos espíritos inferiores é o escudo da moral e da virtude.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Atividades de Fevereiro

Em Fevereiro temos algumas adaptações ao nosso Calendário por causa do recesso de Carnaval e Cinzas no final do mês.

Programações especiais:

DIA 11 - Sábado - EVENTO BENEFICENTE - 3º Grito de Carnaval
Terceira edição da nossa festa pré-carnaval à fantasia, para ajudar a nossa instituição. Toda a renda de consumação do evento será revertido para as obras do terreiro.
Esse ano utilizaremos o espaço do salão da nossa Matriz em Piedade, para reduzir custos de realização do evento.
O ingresso é vendido a R$10,00 e pedimos colaboração também de 1kg de alimento não perecível para os projetos do NOS da SEFA.


FIRMEZA PARA O PERÍODO DO CARNAVAL
Na semana que antecede a festa do Carnaval, fazemos uma corrente com o Povo Trabalhador (Exu), pedindo proteção espiritual para o período do carnaval, onde sabemos que muitos irmãos se excedem na brincadeira.
Por isso, neste dia orientamos que os assistentes e médiuns levem UMA VELA DE 7 DIAS BRANCA para passar na corrente, sendo irradiada pelo Povo. Depois, é só acender a vela na quarta-feira antes do Carnaval, para que ela dure até a quarta-feira de cinzas. Mas atenção: proteção espiritual não nos tira a responsabilidade de que temos que nos resguardar e evitar excessos também.

RECESSO DE CARNAVAL - De 23/02 a 03/03 - Em função do recesso, não teremos Gira Mensal na filial de Vila Isabel.

Confira abaixo as nossas atividades para o mês de Fevereiro:


Informações: (21) 99266-3786 (Também pelo WhatsApp)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Dia do Padroeiro e do Pai dos Caboclos




A irradiação pela vibração de Oxossi, que no Rio de Janeiro encontra relação com São Sebastião através do Sincretismo, faz de janeiro um mês especial, já que, no dia 20, este Santo tão popular é sempre lembrado com muita comemoração. Nesta data, feriado Municipal em homenagem ao Padroeiro da cidade, seus devotos realizam procissões e missas, enquanto que, na Umbanda, toda energia é voltada para o Orixá das matas, Oxossi, cultuado com muita fé e devoção. Mas por que a relação entre o Santo católico e Oxossi, orixá de Umbanda? 

São Sebastião, nascido na Itália por volta do Século III d.C., quando o Cristianismo era ainda proibido, tornou-se um soldado romano e engajou-se ao propósito da fé. Cristão ativo, conseguiu converter, secretamente, muitos pagãos, soldados e até prisioneiros. Após ser denunciado, foi punido pelo Imperador Diocleciano, sendo então condenado à morte. Amarrado em um tronco, foi flechado pela guarda Pretoriana, mas resistiu milagrosamente e foi socorrido por uma viúva chamada Irene, que retirou as flechas do seu corpo e tratou os seus ferimentos. Já curado, procurou novamente o Imperador.  Diocleciano ordenou que os guardas o açoitassem até a sua morte, que ocorreu no dia 20 de janeiro de 288.

Hoje, São Sebastião é lembrado pela sua humildade, coragem e determinação e considerado protetor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra. 


Caçador - O Orixá arquetipicamente ligado a essas características é Oxossi, tendo em sua energia e simbolismo referências ligadas à força, à coragem e à capacidade de embrenhar-se nas florestas a fim de garantir seu sustento, como caçador, rei das matas. 


A Oxossi também é atribuída a energia das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda. Oxossi também é a vibração regente da falange dos Caboclos e Caboclas. Portanto, neste mês de Janeiro, sob a Irradiação de Oxossi e a comemoração a São Sebastião, vamos buscar essa magnitude, esse exemplo de convicção para interagirmos com as forças que regem a fé destemida e a pureza da natureza, das matas e ervas, e da coragem de um verdadeiro desbravador. 


A SEFA realizará a sua festa de louvação a Oxossi no sábado, dia 21, com uma Gira de Caboclos e Boiadeiros, recebendo as boas vibrações de Oxossi, e também do padroeiro da cidade do Rio. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Atividades de Janeiro


Passado o período do recesso das festas de fim de ano, iniciamos o novo ano com as bênçãos de nosso Pai Maior, e já nos preparamos para receber todos os irmãos de fé em mais um ano de caridade e trabalho pela Lei Maior de Umbanda.

Segue o calendário de Janeiro, sob a irradiação de Oxossi

SEFA Matriz - Piedade: Rua Manuel Vitorino 420 - Piedade
Gira Mensal - Abertura dia 08/01, às 15h

SEFA Sampaio: Rua Paim  Pamplona 240 - Sampaio
Gira Mensal dia 14/01, às 15h

SEFA Vila Isabel: Rua Luís Barbosa 58 sobrado - Vila Isabel
Gira Mensal dia 29/01, às 15h

Informações: (21) 99266-3786 (Também por WhatsApp)


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Presentes Polêmicos


Nos últimos dias do ano é comum ver nas praias brasileiras grupos de umbandistas, ou até mesmo um filho de fé “solitário”, fazendo suas homenagens para Iemanjá. Muitos agradecem pelo ano que passou, outros fazem pedidos para o próximo ano, e ainda há aqueles que apenas fazem uma prece à rainha do mar. E não são poucas as oferendas. Flores, perfumes, espelhos, frutas, tudo para ser entregue e Mãe dos Orixás. Barcos são cuidadosamente ornamentados. Quando é um terreiro que prepara, antes da oferenda, em geral, é feita uma Gira em homenagem à Iemanjá e a todo o povo do mar.

Mas após o ritual religioso o que fica muitas vezes na praia é uma coisa só: lixo. Esse tipo de oferenda já foi alvo de muita polêmica. Foram várias as discussões sobre o assunto, sem que se chegasse a qualquer conclusão. A Constituição Brasileira nos garante a liberdade de culto. No entanto, para os que não são seguidores da religião, a impressão de sujeira e agressão ao meio ambiente deixa um ponto negativo, principalmente para a Umbanda. As homenagens à Iemanjá acabam, muitas vezes, se tornando alvo de preconceito. Há casos em que a população pede ajuda do poder público para impedir qualquer tipo de festividade religiosa ou oferenda feita na praia nos festejos de final de ano.

E o que nós umbandistas achamos deste assunto? O Tupixaba da SEFA, CCT Cristiano Queiroz, diz que não é contra as giras na praia, mas alerta para os cuidados que se deve ter com a limpeza, ao final dos trabalhos: “Acho que a giras na praia são importantes até mesmo como uma marca cultural de nosso país. Mas, assim como em nossos terreiros, devemos ter a consciência de que estamos usando um espaço público, e todos têm direito à sua utilização, assim como o dever de bem preservá-lo”, afirma o comandante geral da nossa Organização Religiosa.

No primeiro dia do ano são encontrados na beira da praia garrafas de sidra, velas, caixas de fósforo, alguns alguidares com comida, deixando um rastro de poluição que não será “aproveitado” por nenhuma entidade. Até porque os garis se encarregam de retirá-los da praia, junto com outras toneladas de lixo deixadas após as festas.


Por isso, vários umbandistas, conscientes de suas responsabilidades como cidadãos já buscam fazer toda a sua ritualística já se comprometendo em deixar o ambiente limpo e utilizável para os outros. Respeito à natureza e ao espaço de cada um é também uma forma de demonstração de fé e de devoção que os umbandistas têm com as suas entidades, e com os orixás da Umbanda, uma vez que cada linha representa cada força da natureza.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Umbanda: Patrimônio Cultural do Rio

Hoje foi publicado na coluna do Ancelmo Gois, em O GLOBO:

Foto: Cléber Júnior / Jornal Extra

O prefeito Eduardo Paes publicou, hoje, decreto que declara a Umbanda como patrimônio cultural de natureza imaterial do Rio. O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade fará o cadastro dos terreiros. O primeiro já cadastrado é a Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda, no Estácio.

História de luta contra a perseguição e a Intolerância

Desde a sua fundação, no início do século passado, a Umbanda enfrentou uma série de preconceitos vindos da sociedade, de outras religiões e até do próprio Estado.

Com Getúlio Vargas no poder, Umbanda sofre perseguição do Estado
Uma lei datada de 1934 colocou a Umbanda nos grupos sob a jurisdição do Departamento de Tóxicos e Mistificações da Polícia do Rio de Janeiro, na seção especial de Costumes e Diversões, que lidava com problemas relacionados com álcool, drogas, jogo ilegal e prostituição. Praticar a Umbanda era então uma atividade marginal (perdurou com tal classificação até a reorganização do Departamento de Polícia do Rio, em 1964).

Registrados ou não, os umbandistas e demais praticantes de cultos afro-brasileiros ficavam expostos à severa perseguição policial do Rio. Não era difícil ver a polícia invadir e fechar terreiros, confiscando objetos rituais, e muitas vezes prendendo os participantes.

Muitos terreiros na época foram registrados com a denominação de "Centro Espírita" como forma de proteção às próprias casas, já que o Kardecismo era mais praticado pela classe média alta e era livre de perseguição.

A memorável Gira no Maracanãzinho

Mas o movimento umbandista foi ganhando força na metade do século passado, principalmente com a criação das entidades federativas como a União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB), o Primado de Umbanda e a Confederação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), dentre outras.
Ainda assim, por mais que a Umbanda fosse reconhecida como religião e tivesse cada vez mais adeptos, muitas pessoas, até por falta de conhecimento, mistificavam a Umbanda e jogavam à condição de marginalidade.

Uma das maiores perseguições sofridas pela religião acontece a partir dos anos 80, com a ascensão da Igreja Universal do Reino de Deus e outras igrejas denominadas neopetencostais.


Culto da IURD, onde entidades de Umbanda são chamadas de "demônios"

Com a popularização das mídias sociais ficou mais fácil explicar os trabalhos de Umbanda e desmistificar muitos assuntos acerca da nossa religião. Isso abriu os olhos da sociedade para a questão da intolerância religiosa, que vem sendo combatida or diversos grupos da nossa sociedade, independentemente de ligações políticas ou partidárias. O que se pretende assegurar é que vivemos em um Estado Laico, onde toda forma de culto deve ser respeitada, e todas as religiões devem conviver em paz.

Terreiro invadido e depredado por fanáticos religiosos, na Zona Sul do Rio de Janeiro

Agora, com o decreto que reconhece a religião como um patrimônio do Rio, cabe a nós, como umbandistas e também como cidadãos, zelarmos para que esse decreto seja cumprido não só agora, mas em todos os outros governos sucessores.